4 Disfunções Endócrinas Que Podem Levar à Obesidade

4 disfunções endócrinas que podem levar à obesidade
Dra. Aidalina do Nascimento Costa
Dra. Aidalina do Nascimento Costa

Endocrinologia e Metabologia CRM-AM: 2422
Nutrição CRN-AM: 15028

Você sabia que até 2025 haverá mais de 700 milhões de obesos entre a população mundial? Os dados são da OMS e o número alarmante confirma que a obesidade é uma questão de saúde pública. Só para você ter ideia da gravidade, um a cada oito adultos são obesos. Diferente do que muitos pensam, o impacto dos quilos a mais não se limita à aparência, uma vez que o peso excessivo é fator de risco para diversas doenças. É o que vamos conferir.

Doenças que estão associadas à obesidade

São muitas doenças correlacionadas com a obesidade. Entre elas, aqui estão algumas:

  • apneia do sono;
  • diabetes do tipo 2;
  • colesterol alto;
  • hipertensão arterial;
  • osteoartrite;
  • infarto do miocárdio;
  • fibrilação atrial;
  • cor-pulmonale;
  • síndrome da hipoventilação;
  • cardiomiopatia dilatada;
  • asma grave;
  • hérnias: de hiato e umbilical;
  • refluxo gastroesofágico;
  • cálculos na vesícula;
  • pancreatite aguda;
  • esteatose hepática;
  • incontinência urinária;
  • depressão;
  • infertilidade;
  • disfunção erétil;
  • síndrome dos ovários policísticos;
  • estigma social;
  • ansiedade generalizada;
  • hemorroidas;
  • varizes, dentre outras doenças.

Durante muito tempo, se pensou que a obesidade ocorria, principalmente e na maioria das vezes, devido ao desequilíbrio entre o consumo e o gasto calórico. Isso é apenas um lado dessa questão. Hoje, a maioria dos estudos mostram outros caminhos para começar o excesso de peso. Nesse caso, o principal fator são as escolhas alimentares equivocadas, pouco nutritivas ao mesmo tempo que são inflamatórias para o organismo. Outro fator muito importante é o sedentarismo, não só a falta de exercícios físicos programados, mas também a falta de mobilidade para realizar as tarefas cotidianas. Mas, o que nem todos sabem é que a obesidade também pode ter causas endócrinas. Confira quais distúrbios endócrinos podem levar uma pessoa a se tornar obesa.

Disfunções endócrinas relacionadas à obesidade

1. Síndromes hipotalâmicas

O hipotálamo é uma região cerebral importante para a produção de hormônios essenciais para o bom funcionamento do organismo. Começa, então, uma cascata metabólica de estímulo e inibição hormonal. Primeiramente, esses hormônios hipotalâmicos enviam estímulos específicos para a glândula hipófise, também no cérebro. Esta, por sua vez, estimula glândulas como, tireoide, mamas, adrenal, testículos e ovários, por exemplo. Em situações em cujas funções do hipotálamo e da hipófise falhem, provavelmente vários hormônios ficarão desregulados, o que contribui para desajustes metabólicos e nutricionais. Consequentemente, essas alterações hormonais podem contribuir para obesidade.

2. Síndrome de Cushing

Nessa condição, a glândula adrenal é muito estimulada e, em resposta, produz muito cortisol. Como este é um hormônio corticoide endógeno, produz gordura de forma específica, ao mesmo tempo em que induz o inchaço. É uma doença endócrina grave e de difícil tratamento.

Portanto, é comum que pacientes com esta síndrome apresentem o rosto em formato de “lua cheia”, com bochechas bastante ressaltadas. Além disso, costuma ocorrer perda de gordura nos braços e nas pernas, bem como grande volume no tronco. Outra característica é o depósito de gordura na parte superior das costas.

3. Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma alteração endócrina bastante comum, que potencializa as chances de desenvolver obesidade. Isso acontece porque o trabalho metabólico do organismo é lentificado pela redução da quantidade do hormônio tireoidiano. Isso pode atrapalhar a tarefa de gastar mais calorias do que consome. Vai depender do tempo de doença em que ficou descompensada e da grandeza dessa descompensação metabólica.

4. Estresse crônico mantido

Na atualidade, essa é a condição de desajuste metabólico mais comum. Isso acontece porque o corpo, sob estresse cronicamente, desajusta o funcionamento normal da glândula adrenal, que produz o cortisol.  Este hormônio elevado no sangue aumenta a produção de gordura, ao mesmo tempo em que estimula a retenção de líquido. O resultado é o aumento de peso. Sem falar em outros inúmeros malefícios que o excesso de cortisol faz ao corpo. Por fim, não poderia deixar de mencionar o efeito colateral de medicamentos. Sabe-se que alguns medicamentos podem desajustar alguns hormônios, aumentar o apetite, interferir na absorção, secreção e excreção de substâncias, além de prejudicar o metabolismo. Nesse sentido, medicações que merecem cuidado são os corticoides exógenos, os anticonvulsivantes e psicotrópicos, como os antidepressivos. E pensar que o Brasil está entre os maiores consumidores de antidepressivos do mundo.

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