O período gestacional e o puerpério são fases muito delicadas na vida de uma mulher. Os primeiros meses de vida do bebê requerem cuidado e plena atenção da mãe. Após o parto, além de ela aprender a lidar com o neném que acabou de chegar, ainda precisa lidar com a brusca mudança de rotina. Paralelo a isso, tem de enfrentar mudanças bruscas na regulação dos hormônios. Em alguns casos, a produção de hormônios pode ficar desregulada e, como consequência, aparecem doenças como depressão pós-parto e disfunções hormonais, como a tireoidite pós-parto.
Essa disfunção da tireoide atinge de 4% a 7% das mulheres no total. Ela pode surgir até um ano após o nascimento do bebê. O distúrbio acontece quando o sistema imunológico ataca a tireoide. Essa glândula é responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Quando ela se torna hiperativa, produz mais hormônios do que o necessário, esse fenômeno é conhecido como hipertireoidismo (5% a 10% dos casos). Já o hipotireoidismo acontece quando a produção de hormônios é lenta e causa um déficit no organismo.
Estudos mostram que alguns fatores podem contribuir com as chances de a mulher apresentar tireoidite pós-parto:
- Diabetes tipo 1
- Histórico de problemas de tireoide
- Presença de anticorpos antitireoidianos antes da gravidez
- Histórico familiar de distúrbios da tireoide ou diabetes
Além disso, alguns cientistas acreditam que o estresse e o tabaco podem ser também fatores desencadeantes do problema.
Saiba quais são os sintomas de tireoidite pós-parto
Os sintomas, tanto do hipertireoidismo quanto do hipotireoidismo, são sutis. Eles podem, inclusive, ser confundidos com sintomas de outras doenças. Quase nunca surgem logo no início da doença, mas à medida que a tireoidite evolui. Conheça quais são os sintomas mais frequentes da disfunção:
Hipertireoidismo
- Ansiedade
- Batimentos cardíacos acelerados
- Cansaço extremo
- Desconforto nos olhos
- Diarreia
- Fadiga muscular
- Irregularidade menstrual
- Irritabilidade
- Perda de peso
- Sensibilidade ao calor
- Transpiração excessiva
- Tremor de mãos
Hipotireoidismo
- Batimentos cardíacos lentos
- Cansaço
- Constipação intestinal
- Depressão
- Ganho de peso acima do habitual
- Pele seca
- Fadiga muscular
- Queda de cabelo
- Rigidez nos músculos
- Sensibilidade ao frio
Diagnóstico e tratamento dos distúrbios da tireoide
O diagnóstico de tireoidite é realizado de duas formas. A primeira é por meio de exame de sangue, com a dosagem dos hormônios e dos anticorpos anti-tireoide. A outra maneira é pela ultrassonografia de tireoide. Nesse caso, a imagem mostra as características heterogêneas da inflamação na glândula.
Para a produção excessiva dos hormônios, o tratamento é feito apenas para amenizar os sintomas, já que é uma fase passageira. Já nos casos de hipotireoidismo, quando os níveis estão abaixo do normal, é necessário fazer a administração de hormônios sintéticos. O objetivo é normalizar a deficiência hormonal. Felizmente, é comum a tireoidite desaparecer espontaneamente após 12 meses.
Apesar de ser um distúrbio simples de resolver, a tireoidite pós-parto é, em muitos casos, confundida com outras patologias. Por isso, tanto a mãe quanto o profissional de saúde devem ficar atentos. Mesmo sendo de característica transitória, a tireoidite pós-parto pode evoluir para o hipotireoidismo permanente.
Quando o hipotireoidismo não é tratado por longo tempo, pode alterar o funcionamento do coração, deixando os batimentos cardíacos mais lentos. Além de levar ao aumento da pressão e do colesterol oxidado, inchaço e falta de ar. Por essa razão, para evitar mais desconfortos e complicações, recomenda-se o acompanhamento médico.
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