Entenda a Relação Entre Fadiga e Sedentarismo

Entenda a relação entre fadiga e sedentarismo
Dra. Aidalina do Nascimento Costa
Dra. Aidalina do Nascimento Costa

Endocrinologia e Metabologia CRM-AM: 2422
Nutrição CRN-AM: 15028

Cerca de 20% da população mundial queixa-se de fadiga persistente. Frequentemente, este é um sintoma associado ao maior risco de alterações do sono, dores musculares e à diminuição da produtividade no trabalho e no lazer. São diversas origens, podendo, inclusive, estar acompanhada de doenças físicas, psiquiátricas, distúrbios do sono, ou mesmo de gravidez.

Outra causa para a sensação de cansaço constante é a falta de atividades físicas no dia a dia. Estudos norte-americanos demonstram que pessoas fisicamente inativas tinham até duas vezes mais chances de se queixarem de fadiga, em comparação com aquelas que realizam exercícios físicos.

O que é fadiga?

Na verdade, é um termo genérico para a sensação de cansaço e esgotamento físico ou mental. Tal condição tem tantas causas, que não cabe falar sobre todas elas aqui. Vamos ver, pelo menos, as mais frequentes. 

Fadiga crônica

Esse tipo de situação vem sendo cada dia mais estudada, devido ao número crescente de pessoas que se queixam de cansaço persistente, ou seja, a Síndrome da Fadiga Crônica. É considerada crônica quando a sensação de cansaço tem duração de seis meses ou mais, sem motivo aparente. Neste caso, é importante a análise de possíveis alterações hormonais que possam provocar o sintoma. 

Desequilíbrio adrenal

O principal fator indutor de alteração adrenal é o nível de estresse muito elevado e mantido por longo tempo. Certamente levará a alterações hormonais nas glândulas adrenais, caso não seja tratado. O que ocorre é o seguinte: esse estresse crônico desestabiliza o nível de cortisol pela glândula. No início, a adrenal produz muito cortisol, mas, com o passar do tempo, reduz gradativamente a sua produção de cortisol. O resultado é a fadiga intensa e constante. É, portanto, uma causa patológica, devido ao cortisol baixo. Consequentemente, ocorre uma baixa ação do sistema imune, irritabilidade, falta de energia, dificuldade de sair da cama, dentre muitos outros sintomas. 

Fadiga muscular

É mais comum ocorrer após a realização de exercícios físicos de grande impacto sem o repouso adequado. A sensação após o treino é algo esperado, mas, pode ocorrer em outros momentos. Nesse caso, o sintoma indica que algo não vai bem com o corpo. É necessário, então, ajustar os substratos nutricionais específicos para os músculos.   

Fadiga mental

Geralmente, ocorre após horas extenuantes de trabalho ou estudo sem repouso de recuperação. A fadiga mental vem acompanhada de irritabilidade, dor de cabeça, dificuldade de concentração, falta de foco, baixo nível de aprendizado e atenção, falhas de  memória. Alterações emocionais, sejam elas causadas por um momento difícil ou por doenças psiquiátricas, também geram a sensação de cansaço mental. 

Causas da fadiga

Portanto, as causas do cansaço constante estão relacionadas com problemas hormonais, estilo de vida, maus hábitos alimentares e, é claro, pelo sedentarismo. Todavia, algumas doenças mais graves também geram este sintoma. Além disso, outro fator importante é o não gerenciamento do estresse do dia-a-dia e o uso de determinados medicamentos. 

Vejamos outras causas patológicas de fadiga:

  • depressão;
  • transtorno bipolar;
  • insônia crônica;
  • apneia do sono;
  • gravidez;
  • idade avançada;
  • desnutrição celular;
  • insuficiência cardíaca;
  • insuficiência renal;
  • diabetes;
  • fibromialgia;
  • doenças do fígado;
  • bronquite;
  • enfisema pulmonar;
  • anemia;
  • hipotireoidismo;
  • câncer, dentre outras.

Como os exercícios ajudam a combater a fadiga?

É preconizado que praticar 150 minutos de atividades físicas por semana, ou seja, 30 minutos por dia, já é suficiente para promover a sensação de energia durante o dia, além de melhorar o sono e aumentar a concentração. Essa afirmação é do estudo realizado pela Universidade do Estado de Oregon, nos Estados Unidos, em 2006. 

Nesse estudo, foram analisados 2.600 homens e mulheres de 18 a 85 anos, consultando seus hábitos alimentares, vícios, como o fumo, e a frequência de atividades físicas. O resultado foi o seguinte:

  • 65% dos que praticavam atividades físicas tinham melhor sono;
  • 65% tinham menos cansaço durante o dia;
  • 68% relataram sentir menos cãibras durante a noite;
  • 45% afirmaram se sentir mais atentos.

Logo, aqueles que estão fisicamente mais ativos são, consequentemente, mais produtivos no trabalho e nos estudos, pois têm mais energia e mais atenção.  

Em razão do exposto, o sintoma de fadiga não deve ser negligenciado. No entanto, antes de buscar a prática de exercícios físicos para combater o cansaço, procure um endocrinologista para investigar a verdadeira causa do sintoma. Nos casos em que a fadiga é causada por alterações fisiopatológicas, o distúrbio deve ser tratado conforme a orientação médica. 

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como  endocrinologista em Manaus!

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